Relatório IPCC faz alerta urgente sobre as alterações climáticas

Recentemente foram divulgadas as principais conclusões da primeira avaliação abrangente do clima desde 2014, realizada por mais de 230 cientistas, de 66 nacionalidades, com base em 14.000 estudos publicados. Os resultados, integram o 6.º relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), e fazem um alerta de forma inequívoca de que o clima está a mudar mais rapidamente do que se previa.

O relatório do IPCC foi criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), com o objetivo de fornecer informações aos decisores políticos sobre as alterações climáticas, as suas implicações e os seus potenciais riscos, bem como apresentar opções de adaptação e mitigação.

Relatório IPCC – principais conclusões:

  • O limite de segurança estabelecido no Acordo de Paris para o aquecimento global (1.5°C acima dos níveis pré-industriais) será ultrapassado até 2040, de acordo com a trajetória atual de emissões de gases de efeito de estufa (GEE);
  • As alterações climáticas já afetam todas as regiões da Terra, de diversas maneiras e com impactos diferentes;
  • A década atual será fundamental para reduzir as emissões, caso contrário, a probabilidade de as alterações climáticas causarem eventos climáticos extremos, como inundações, secas prolongadas, aumento da intensidade de ciclones, subida do nível de água do mar, entre outros, poderá ser fortemente amplificada;
  • Os últimos 6 anos foram os mais quentes desde que há registos históricos (desde aproximadamente 1850);
  • As temperaturas durante esta década (2011-2020) excederam as do último período mais quente registado que ocorreu há 6.500 anos;
  • Em 2019, as concentrações de CO2 na atmosfera foram superiores às registadas nos últimos 2 milhões de anos e as concentrações de metano e de óxido nitroso atingiram níveis superiores aqueles registados nos últimos 800.000 anos;
  • Para limitar o aquecimento global são necessárias reduções drásticas, rápidas e consistentes nas emissões de CO2, metano e outros gases de efeito de estufa.

Segundo os investigadores, o relatório IPCC deve ser visto como uma oportunidade dos governos e organizações expandirem o seu investimento não apenas em fontes de energia renovável, mas também em tecnologias com maior eficiência energética e de baixo teor em carbono, como por exemplo a captura e armazenamento de carbono e a utilização de hidrogénio verde.

Os cientistas reforçam ainda a necessidade de a transição energética garantir não só a sustentabilidade ambiental, mas também a sustentabilidade económica e social, promovendo o acesso à energia com um custo comportável e universal, combatendo assim a pobreza energética.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, considera que o relatório é “um código vermelho para a humanidade”, com uma evidência irrefutável: as emissões de gases a partir da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento estão a sufocar o planeta e a colocar biliões de pessoas em risco.

António Guterres afirma ainda que o relatório “deve soar como uma sentença de morte para os combustíveis fósseis, antes que destruam o planeta” e exige uma ação imediata para a limitação do aquecimento da temperatura global a 1.5 °C. As “soluções são claras”, sendo possível ter “economias verdes e inclusivas”. Todos os governos, especialmente o G-20, precisam de reforçar os compromissos climáticos antes da 26ª Conferência para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (COP-26), afirma o secretário-geral. A COP-26 está marcada para novembro de 2021, em Glasgow.

Fonte: Nações Unidas